27/12/2010

Zé pedra 90

Meu avô é um sujeito interessante. Ele desceu da Paraíba rumo Goiás pendurado num pau de arara com minha avó grávida e duas crianças pequenas. Demoraram mais de três meses pra chegar, e neste ínterim, minha avó deu a luz a um dos 11 irmãos de minha mãe. O resto da prole nasceu em Goiás e aqui criou raízes. O Zé e a Maria perderam 2 de seus filhos, e o caçula ficou paralítico e demente porque não tomou uma vacina.
A vida foi dura com meu avô. Era com uma “vendinha”que ele sustentava esta família numerosa. E minha mãe conta que uma vez ajudou meu avô na venda e pegou 3 latas de leite condensado pra tomar escondido no quintal com suas 2 irmãs. O Zé era saqueado pela própria família... Mas quem, uma vez na vida, não deu uma rasteirinha inocente nos pais, hein?
O meu Véio Zé hoje tem 90 anos. Ele sofre do mal de Alzheimer e de Parkinson, mas as doenças não lhe tiraram o charme de um nordestino batalhador e sorridente. Às vezes sinto que ele orbita planetas muito distantes, mas em momentos de lucidez, ele é participativo e engraçado.
Sentadinho no jardim da fazenda, Zé estava escutando o canto dos passarinhos.
Eu me acheguei e pedi:

- Dá um sorriso pra mim Véim! Deixa eu tirar uma foto sua!
Ele disse:
- Eh menina medonha!
E sorriu.

21/12/2010

Considerações finais em 2010

A todos que passam por estas paisagens:


"Que você caminhe sempre sob a força dos céus, sob a luz do sol, sob os raios da lua. Que você caminhe sempre com o esplendor do fogo, com a velocidade do trovão, com a rapidez do vento. Que você caminhe sempre apoiado pela profundidade do mar e pela firmeza da rocha.
E que assim, caminhemos todos nós."

Benção Irlandesa.



Que assim, caminhemos todos nós!
Amém...
Márcia

19/12/2010

A colheita das frutas ~ Harvesting fruits

Os dias no campo são cheios de simples prazeres, tais como:
- Acordar com o canto do galo;
- Comer queijo fresco acompanhado por um cafezinho adoçado;
- Olhar pro céu estrelado e passar a noite ouvindo “causos”;
- Colher frutas no pé...
.
Como a temporada de chuvas começou há 2 meses no meu Estado (Goiás), as árvores estão revigoradas, cheias de energia, e demonstram através de frutos a sua gratidão pelas águas que caíram por aqui.
Colhi várias frutas no jardim para fazer um suco multi-vitamina. Comecei pelas acerolas, riquíssimas em vitamina C, passei pelas jabuticabas, pelo limoeiro e terminei minha odisséia no pé de carambola.
Ao final da minha colheita, montei um pratinho que mais parecia uma miríade de cores, texturas, sabores e formas. Sinal de que a Natureza, na sua plenitude tropical, é uma manifestação inconteste da mais divina criatividade.
Ah, como é gostoso estar de volta (passeando) pelo Brasil...
~~~~
The days at the countryside are filled with simple pleasures, such as:
- Waking up with the cock crowing;
- Eating fresh cheese and drinking a cup of sweetened coffee;
- Looking at the stars in a clear sky and listening to some old stories;
- Harvesting fresh fruits on the yard.

Once the rainy season started a couple of months ago in my State (Goiás, Brazil), the trees are now reinvigorated and in full blossom. They show their gratitude in the shape of fruits, tasteful fruits.
I gathered many of them in the garden to make a juice for myself. I began the harvesting spree with Acerolas (a tropical cousin of cherries, very rich in Vitamin C), then I got some Jabuticabas, lemons and finished my odyssey with Star Fruits.
At the end of my harvesting experience, I placed all the fruits on a dish that looked more like a myriad of colors, textures, flavors and shapes. That is a undeniable proof that Nature, on its full tropical mood, is an undeniable manifestation of a divine creativity.
Ah, how nice it is to be back (just for a while) in Brazil...
Márcia

14/12/2010

Gentilezas gratuitas em Guarulhos

Aeroporto de Guarulhos na manhã do dia 14/12/10.

Márcia caminha cansada carregando mil encomendas trazidas da Alemanha nas bagagens de mão. Um senhor pede seu cartão de embarque para verificar o código de barras. Márcia cansada, coloca as sacolas no chão e procura o cartão na bolsa, soltando alguns - Hunfs! E o encontra. Neste momento um diálogo rápido e feliz se desenvolve: 

- Gisele Bündchen, você mudou a cor do cabelo? - diz o funcionário da Infraero.
- Sim, quis dar uma mudada no visual. Ha ha ha. - sorri Márcia, que entra na brincadeira se achando a Top Model.
- Que bom rever você! Boa viagem! - diz o funcionário.

Márcia agradece e caminha para o milésimo controle de segurança. Ela continua sorrindo das gracinhas bestas do funcionário. Mesmo cansada, esta brasileira sorri para as paredes do aeroporto de Guarulhos. E se sente feliz com as gentilezas gratuitas que escuta nos primeiros contatos com sua pátria amada, Brasil!

10/12/2010

Cachorro na Alemanha paga imposto

Esta semana tomei conhecimento de um fato que, ao meu ver, é engraçadíssimo: cães e gatos pagam imposto na Alemanha.
Quando me disseram isto, eu caí na risada. Achei que fosse brincadeira. Mas não é... Cães e gatos residentes aqui, pagam imposto sim. Eles têm um chip na coleira com suas informações e seu número de registro. Tem base?
Os valores variam de acordo com o tamanho do bichinho e a região onde vivem. Mas no geral, paga-se de € 25 a € 108 por bichinho/ano. Em reais, seria algo em torno de R$ 60,00 a 259,00/ano. O imposto do segundo animal da casa é bem mais alto para desencorajar as pessoas de terem muitos animais em casa. E o imposto justifica-se pelo fato dos bichos usufruírem das benfeitorias públicas como ruas, passeios, jardins... E também por deixarem algumas lembrancinhas para trás...
Daí eu me lembrei da Tieta... a cachorrinha da minha irmã que eu carinhosamente chamo de sobrinha...
Acho que ela, com toda a sua safadeza, daria um jeitinho pra sonegar os impostos... Ou me pediria um troco emprestado...
Ótimo finds!!!
Márcia

08/12/2010

Dalva Frango Frito

Eu sabia que ela era loira e tinha acabado de ganhar uma premiação de Miss numa cidade do interior de Goiás. Eu também sabia que ela foi o pivot da separação dos meus pais, motivo pelo qual eu tinha rancor e até uma porção generosa de ódio por aquela moça. Eu dizia pra minha família que iria matá-la quando a conhecesse, e por mais que as pessoas tentassem aplacar os meus sentimentos revoltados de adolescente de 11 anos, eu seguia adiante com minha raiva e queria mesmo dar umas bofetadas nesta loira que levou meu pai pra longe de casa.

Mas eu não tenho coragem de matar um mosquito. Muito menos uma Miss. E me portei educadamente quando meu pai apresentou sua nova namorada para minha irmã e eu. Aconteceu tudo muito rápido, ele queria nos apresentar sua loira no dia seguinte à assinatura dos papeis do divórcio, mas minha mãe intercedeu e pediu que ele tivesse um pouco de compaixão com nosso sofrimento (inclusive com o dela), e nos apresentasse à sua namorada depois de algum tempo.

Isto aconteceu. Conhecemos a Dalva depois de um mês que meus pais se separaram. Eu achei ela brega, ela tinha uma cabeleira loira que batia nas nádegas. Mas era esbelta. Ela tinha uma beleza caipira, porque ela tem de fato, raízes caipiras. No geral, achei ela simpática. Perdi a vontade de matá-la logo no primeiro encontro. Felizmente.

Não demorou muito para que ela morasse junto com meu pai. Digamos que o amor deles era muito platônico e urgente, não podia esperar muito para se manifestar e se concretizar, a despeito do sofrimento das demais partes envolvidas. Minha mãe, minha irmã e eu nos mudamos para Goiânia com o coração às migalhas, mas tínhamos uma à outra e estávamos dispostas a recomeçar. E assim fizemos.

Mas a Dalva não sumiu das nossas vidas. Eu e minha irmã visitávamos meu pai no interior 2 vezes por mês. E tivemos que nos hospedar na casa dele, junto com a Dalva. Ai meu Deus. Ela tentava muito nos agradar. E eu gostava do esforço dela. Quanto mais ela tentava, mais eu me sentia forte, era como se ela tivesse uma dívida pessoal comigo que seria quitada à base de muitos mimos.Muuuuitos mimos. E um destes mimos era o frango frito.

A Dalva preparava o melhor frango frito que eu e minha irmã já experimentamos em nossas vidas. E vinha acompanhado de batata frita. Para duas adolescentes da geração Mc Donalds, não havia nada melhor que batata frita e frango frito. E Dalva sabia disso. Era pisarmos o pé na casa deles que ela fazia frango frito. E a gente ficava feliz. Eu até fazia piadinha com ela por telefone:

- Dalva, vamos almoçar frango frito Hoje. Frango frito amanhã. Frango frito no final de semana todo, Ohhhh meu pai! É frango demais.

Eu já estava me acostumando com combinação: Dalva + frango frito. Mas eu tinha meus momentos de rebeldia. Uma vez eu peguei a boneca da Dalva (ela gostava daquela boneca grande chamada Meu Bebê e tinha uma na poltrona ao lado de sua cama) e a arremessei no chão. Fez um barulho alto, e eu gostei da brincadeira. Minha irmã estava filmando a cena e eu peguei a boneca e bati mais umas 5 vezes com a cabeça dela no chão. A Dalva estava fazendo o que? Frango frito. E daí ela me viu espancar a boneca dela e começou a rir. Eu e minha irmã também caímos no riso. E depois disso guardei a boneca na poltrona. Acho que através desta surra na boneca da Dalva eu tirei de mim qualquer resquício de mágoa que eu tinha por ela. E a partir daí nossa convivência se tornou muito especial.

Ela nos emprestava roupas pra ir pra balada, fazia hidratação em nossos cabelos com ovo e babosa e seguia fritando frango todo final de semana. E nós também fazíamos muito por ela. Muito dadas as nossas proporções. Comprávamos presentes pra ela em Goiânia, pagávamos o X-tudo dela quando saiamos no interior... enfins, estávamos equilibrando o mimo, que passou a ser bilateral. Não havia mais dívidas emocionais, e minha mãe foi uma peça chave nesta equação, pois ela nunca plantou em nós ressentimentos para com Dalva ou meu pai.

Foi a Dalva que me ensinou a dirigir. Minha Irmã não tinha paciência, mas Dalva tinha de sobra. Ela tinha um Palio laranja e foi neste carro que tive minha primeira lição de motorista. Eu não conseguia tirar o Palio daquela rua plana. Mas com a calma da Dalva eu fui arrancando, fazendo ela pular no carro, e a bichinha toda paciente comigo... eu nunca vou me esquecer disto.

Em muitas outras situações, eu consegui perceber o carinho da Dalva comigo. E eu também tinha um grande carinho por ela. O começo da nossa relação foi marcado por muita mágoa. Hoje percebo que para ela deve ter sido muito difícil encarar aquela situação nova e desafiadora, pois éramos duas adolescentes, uma de 11 e outra de 12 anos. E ela devia ter uns 26 anos. Meu pai, bem mais velho. Mas todo mundo tentando ser feliz e ser amado.

Há muito tempo a Dalva saiu da vida do meu pai, e eu sinto muito por isto. Quando me lembro dela, eu sinto um nó na garganta... me dá uma vontade imensa de chorar. Porque foi ela que me ensinou, através de tantos frangos fritos, que o amor nasce nas circunstâncias mais improváveis. E nos acompanha pela vida inteira, inclusive numa manhã gelada no interior da Alemanha. 

Dalva, minha ex-madrasta querida, sei que você nunca lerá este texto, mas eu queria pedir desculpa por ter esbofetado sua boneca. Sei que você refez sua vida e hoje tem uma bela filhinha. E eu desejo toda a felicidade do mundo para vocês. Desejo também que algum dia possamos nos reencontrar. Vou te mostrar o quanto dirijo bem.
E Dalva, daria pra você fazer um Frango Frito quando a gente se ver?
Saudades...

Márcia

06/12/2010

Márcia Sabatella

Já me disseram que eu pareço com a Letícia Sabatella. Ouvi esta pérola de amigas (Inge, tá lendo???), de parentes e até mesmo na balada...

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"Tut tut tut
- Oeeeee, já te falaram que você é a cara da Letícia Sabatella?
- Já...
Tut tut tut "
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De tanto ouvir que sou parecida com a Let's (já estou íntima da minha colega gêmea), estou achando que há um fundinho de verdade no comentário... salvo as diferenças de idade.
O que vc acha?

Márcia Sabatella. Ops!
Márcia Cobar

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